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25/04/2020

Aprofundando a Palavra - Monsenhor Danival


“Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na glória?” (Lc 24,26)

Artigo do III Dom. da Páscoa, 26-04-20

 

            Neste domingo, contemplamos a presença do ressuscitado na Palavra proclamada e no partir o pão. Jesus toma a iniciativa de caminhar e dialogar conosco, a fim de que a nossa fé não desfaleça nos momentos difíceis da vida, quando tudo parece não ter sentido, sobretudo diante da morte.

 

            Eis a grande verdade: quem caminha com Jesus não caminha nas trevas, mas terá sempre a luz da vida (cf. Jo 8,12). Os discípulos de Emaús são iluminados pelas palavras de Jesus e pelas explicações das Escrituras. Por isso, os seus corações ardiam e a tristeza dava lugar à alegria da presença do ressuscitado, levando-os a suplicar: “fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” (v. 29). Aos poucos, através da fé na ressurreição, a escuridão, que os envolvia interiormente, se transforma em luz. Assim, ao superarem o medo e a fuga da realidade da morte, eles retornam a Jerusalém.

 

            A experiência do encontro com o ressuscitado se dá pela escuta da Palavra e pelo gesto do partir o pão, isto é, pela Eucaristia. Num primeiro momento, os discípulos partilharam com Jesus o desespero e a desolação que experimentavam diante da morte do mestre. Em seguida, Jesus os repreende dizendo: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não deveria sofrer tudo isso para entrar na glória?” (Lc 24, 25-26). A paixão de Jesus não terminou na cruz, mas na sua vitória sobre o pecado e a morte, sobre o ódio e o egoísmo ao nos amar até o fim (cf. Jo 13,1).

 

            Desta vitória, Pedro e os demais discípulos deram testemunho corajoso. De fato, em seu discurso à multidão, Pedro afirma que os israelitas o crucificaram e anuncia que Ele não foi abandonado na região dos mortos, mas Deus o ressuscitou (cf. 2a leitura). Eis a razão de nossa esperança e de nossa alegria, porque fomos resgatados do pecado e da morte não por meio de coisas perecíveis, mas pelo precioso sangue de Cristo (cf. 2a leitura).

Mons. Danival Milagres Coelho.