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17/10/2019

Batizados e enviados: entrevista com padre José Geraldo da Silva


 

 

 

Em sintonia com o Mês Extraordinário Missionário, o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM) lançou a série “Batizados em Enviados”. São algumas entrevistas com os padres de Mariana que estão em missão. As entrevistas têm como objetivo partilhar um pouco das experiências missionárias e conhecer a realidade das dioceses acolhedoras.

 

Na entrevista de hoje, padre José Geraldo da Silva (padre Juquinha) comenta sobre a sua experiência na Arquidiocese de Porto Velho (RO). Leia a entrevista na íntegra: 

 

DACOM: Onde e há quanto tempo o senhor está em missão?

 

Padre Juquinha: Estou em missão na Arquidiocese de Porto Velho - RO. Mas, já passei por outras experiências missionárias: Prelazia de São Félix do Araguaia, três meses; uma primeira vez em Porto Velho, de 2003 - 2012, atendendo a três paróquias: Santa Clara (Porto Velho); Nossa Senhora da Conceição (Candeias do Jamari) e Nossa Senhora de Lourdes (Itapuã do Oeste); além disso, ajudava na Comissão de Justiça e Paz e atendia também os presídios de Porto Velho, organizando a Pastoral Carcerária, que naquele momento ainda não existia. Depois tive a oportunidade de ir para a Prelazia do Xingu, atendendo uma área missionária, Asuriní, que contava com quarenta e cinco comunidades. Ajudava na Comissão de Justiça e Paz e na Pastoral Carcerária. Retornei a Porto Velho em janeiro de 2017, para assumir a função de coordenador das pastorais sociais, trabalhando diretamente com a Pastoral do Menor, atendendo quatro unidades socioeducativas; na Pastoral Carcerária, acompanho quatorze unidades prisionais, em Porto Velho, e ainda, colaboramos na comissão de justiça e paz, desenvolvendo trabalhos em Porto Velho e Candeias do Jamari. Recentemente, o arcebispo, Dom Roque Paloschi, pediu-me para assumir a assessoria da Pastoral da Criança.

 

DACOM: Do ponto de vista eclesial e social, como é a realidade da região onde o senhor está em missão?

 

Padre Juquinha: Do ponto de vista eclesial, a Arquidiocese é carente de vocações sacerdotais, o clero local, incardinado, tem um número reduzido. No desejo de formar um clero local, a arquidiocese dispõe de duas casas formativas: o seminário maior, São João XXIII, que acolhe vocacionados que estudam filosofia e teologia; e a comunidade vocacional Dom Helder Câmara, que acolhe vocacionados que cursam o ensino médio. Por outro lado, é visível a participação e o despontar de lideranças leigas. Há também muito envolvimento da arquidiocese nas questões sociais. A arquidiocese tem mais de oitocentas comunidades eclesiais de base (CEBs), estas são formadas por comunidades ribeirinhas, quilombolas, estas comunidades estão em ocupações rurais e urbanas e uma atenção especial aos povos indígenas, por meio do CIMI (conselho indigenista missionário).

 

É uma região marcada economicamente pelo agronegócio (soja e gado); crescente e contínuo desmatamento e queimadas. Com a construção de duas grandes hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio), muitas famílias foram expulsas de suas terras, muitos conflitos que geraram mortes; além de tudo, cresceu em Porto Velho, com o término das construções o número de moradores em situação de rua, que não tiveram como voltar para suas cidades de origem. Outra realidade impactante foi o crescimento da prostituição. Diante de todas estas difíceis situações, as pastorais sociais surgem como uma resposta às necessidades dos que foram atingidos e estão marginalizados, o trabalho acontece em parceria com movimentos populares e os professores e alunos da Universidade Federal de Rondônia.

 

DACOM: Como nasceu o desejo em ir em missão no senhor?

 

Padre Juquinha: O desejo em sair para a missão nasceu com o testemunho e pedido de Dom Luciano, para que a Igreja se tornasse missionária. Papel importante teve o período de formação, no seminário, quando tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as pastorais sociais, movimentos populares e a realidade prisional.

 

 DACOM: Como a experiência missionária pode colaborar com a vida eclesial?

 

Padre Juquinha: A experiência missionária desperta na gente uma dimensão maior de Igreja, saímos da nossa realidade e nos deparamos com outras, mais desafiadoras e ao mesmo tempo enriquecedoras. Isso nos faz crescer vocacionalmente, nos coloca diante do novo. A missão desperta em nós a dimensão do serviço, principalmente aos mais pobres, que não podem ser esquecidos. Estando em missão, não tem como ser indiferente, vou ficando mais humano e solidário, diante dos rostos com os quais eu me deparo no dia a dia. 

 

Fonte: arqmariana.com.br