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16/05/2019

ARTIGO: É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens


A formação bíblica nesta coluna tem apresentado aspectos do evangelho segundo são Lucas, para sintonizar com o ano C do calendário litúrgico. Neste mês de maio as passagens do evangelho aos domingos são tiradas de São João, por isso, o tema escolhido foi tirado do segundo volume da obra de São Lucas: o livro dos Atos dos Apóstolos. Ele se encontra na primeira leitura do Terceiro Domingo da Páscoa (At 5, 27b-32.40-41) e se refere ao anúncio do Cristo Ressuscitado feito pelos apóstolos.

 

     O sumo sacerdote e os seus partidários, isto é, os saduceus, cheios de inveja, prenderam os apóstolos (cf. At 5, 17-18). As autoridades impuseram aos apóstolos uma proibição formal a que eles não haviam obedecido: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina” (vers. 28a). Pedro e João já tinham sido levados ao tribunal (cf. 4, 1-22). Eles eram, então, réus reincidentes e deviam prestar contas de seu desprezo para com o Sinédrio. O Sinédrio equivale ao Supremo Tribunal Federal. O Sinédrio ou Grande Conselho estava dividido porque nele havia fariseus simpatizantes dos apóstolos, que, entre outras razões, também acreditavam na ressurreição. O evangelista São Lucas vê na ressurreição um ponto de união entre os judeus e os cristãos.

 

     A libertação da prisão de Pedro e João foi feita por um anjo (cf. vers. 19). Depois disso, onde estavam eles antes de serem levados pelos guardas ao Sinédrio? Justamente no domínio dos saduceus: no templo, ensinando o povo (cf. vers. 25). O partido dos saduceus foi o promotor da prisão dos apóstolos. E quem eram os saduceus? Elessurgiram dos ambientes da aristocracia de Jerusalém, detentores das altas funções sacerdotais. Não acreditavam em anjos e demônios (At 23, 8) e, sobretudo, não acreditavam na ressurreição dos mortos (Lc 20, 27). Formavam a elite leiga e rica que considerava sua riqueza sinal da bênção de Deus. Tinham o poder econômico em suas mãos e eram os grandes proprietários de terra. Controlavam as riquezas no templo, que era um verdadeiro banco de negócios, enriquecendo-se com os sacrifícios oferecidos. A influência sobre o tribunal de justiça e sobre o templo lhes possibilitava controlar o poder ideológico-religioso, através do sistema do puro e do impuro. Os saduceus ficaram indignados com o povo quando este aclamou Jesus como o Messias (Mt 21, 15), é que viram seus privilégios ameaçados.

 

     Conhecendo quem eram os saduceus, torna-se fácil saber porque os apóstolos foram proibidos de pregar Jesus ressuscitado, saber a origem da inveja dos saduceus. Em nossos dias, quem ou quais situações correspondem, refletem a conduta dos saduceus?

 

O que se torna obstáculo para o anúncio de Jesus ressuscitado? Pode ser o politicamente correto, que significa um conjunto de ideias impostas a pessoas, obrigando-as a renunciar a seus próprios critérios. Os saduceus controlavam o poder ideológico-religioso. Você se envergonha de falar de religião, de afirmar o seu sim generoso a Jesus, tem receio de ser chamado de carola? Possivelmente, muitas pessoas preferem ouvir e seguir o que diz a grande mídia secular. Hoje quantos estão em busca de dinheiro e fama. O que dizer das seitas que pregam a prosperidade, espalhando que somente quem possui muitos bens materiais tem as bênçãos de Deus? Esta mentalidade cria problema para os necessitados que acreditam nesse tipo de pregação e, por isso, se perguntam: que mal eu fiz a Deus para não ser abençoado por ele? A cultura da morte, seguramente, é um dos maiores obstáculos para que o anúncio da ressurreição de Jesus atinja o coração e a consciência das pessoas.

 

     Os apóstolos foram açoitados, proibidos de falar em nome de Jesus e depois foram soltos. Saíram contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. A perseguição na comunidade cristã será de agora em diante um sinal de fidelidade à mensagem de Jesus.

 

Pe. Isauro Biazutti