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04/01/2019

A Eucaristia é aquilo que de mais precioso a Igreja tem


O título deste artigo se encontra na carta Encíclica Ecclesia De Eucharistia nº9, do Sumo Pontífice, agora, são João Paulo II. Abrindo o Novo Testamento, nós vamos encontrar nele várias passagens que confirmam a grande importância da eucaristia para a Igreja. O relato do partir o pão, título que é mais exato do que "multiplicação dos pães", se encontra em todos os quatro evangelhos e se sustenta em três tradições. Aquelas que falam dos cinco mil (Mc 6, 30-44; Mt 14, 13-21; Lc 9, 10-17) e aquelas dos quatro mil (Mc 8, 1-10; Mt 15, 32-39). A narrativa joanina (Jo 6, 1-15) segue uma tradição independente. Note como o episódio, por ser relatado nos quatro evangelhos, gozava de grande consideração na vida da comunidade cristã. Em Marcos e Mateus, ele é até narrado duas vezes. Quando um fato é descrito por dois evangelistas significa que merece uma atenção especial. Imagine, então, quando é descrito pelos quatro evangelistas, é, realmente, importantíssimo, e, sem dúvida, a comunidade pós-pascal viu no gesto do partir o pão uma prefiguração da instituição da eucaristia e da sua celebração na Igreja.  

 

É interessante notar que num contexto mais imediato, a narrativa se encontra no cruzamento entre  dois temas fundamentais: a questão da identidade de Jesus (quem é Jesus?) e a missão dos discípulos, ligado ao envio dos Doze (Lc 9, 1-9) e ao seu retorno (Lc 9, 10), pois, toda atividade missionária deve desembocar no serviço à comunidade e no culto. 

 

A identidade de Jesus e a missão nos fazem pensar no episódio dos discípulos de Emaús em Lc 24, 13-35. Foi ao partir o pão que os discípulos reconheceram Jesus (vv.31 e 35).

 

A estas passagens podem ser acrescentadas aquelas em que aparecem as expressões: o primeiro dia da semana, cair da tarde, o dia já declinava, etc. O primeiro dia da semana se refere ao domingo e o cair da tarde ou o dia já declinava era quando estava começando um novo dia para os judeus. Era quando os primeiros cristãos se reuniam para celebrar a eucaristia. Nas narrativas do Antigo Testamento não se encontram modelos como este, que é um modo consciente de narrar das comunidades que alegremente se reuniam à tarde para "partir o pão" e experimentarem a presença do Senhor.

Antes de ser crucificado, no Tríduo Pascal, Jesus instituiu a eucaristia (Jo 13, 1-15). É o seu testamento, o seu último desejo. Lava-pés e eucaristia estão intimamente ligados, pois quem participa da eucaristia é chamado a lavar os pés de seus irmãos. 

 

Concluo, então, falando a respeito da adoração a Jesus Sacramentado e, para isso, valho-me da Encíclica “Mane Nobiscum Domine”, nº18, de são João Paulo II. 

 

A presença de Jesus no sacrário deve constituir como que um pólo de atração para um número cada vez maior de almas enamoradas d'Ele, capazes de permanecerem longamente a escutar a sua voz e, de certo modo, a sentir o palpitar do seu coração: «Saboreai e vede como é bom o Senhor!» (Sal 34/33, 9). Que a adoração eucarística fora da Missa se torne um compromisso especial para as diversas comunidades religiosas e paroquiais. Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa fé e o nosso amor as negligências, esquecimentos e até ultrajes que o nosso Salvador Se vê obrigado a suportar em tantas partes do mundo. Aprofundemos na adoração a nossa contemplação pessoal e comunitária, servindo-nos também de subsídios de oração baseados sempre na Palavra de Deus e na experiência de tantos místicos antigos e recentes. O próprio Rosário, visto no seu sentido profundo, bíblico e cristocêntrico poderá ser um caminho particularmente adaptado para a contemplação eucarística, atuada em companhia e na escola de Maria.