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10/02/2018

Aprofundando a Palavra


 
Mensagem do 6º Domingo do Tempo Comum

“Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele...” (Mc 1,41)

A identidade de Jesus Messias, como Filho de Deus, vai se revelando a partir de seu agir. Hoje, Jesus revela seu poder divino ao curar um leproso. Na tradição judaica, só Deus pode curar da lepra (cf. 2Rs 5,7), por considerá-la consequência do pecado.
Jesus encheu-se de compaixão ao ouvir o pedido confiante do leproso – “se queres tens o poder de curar-me” – e estendendo sua mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!” Há outras traduções (conforme alguns manuscritos ocidentais), em que se utiliza o verbo “irar-se”, no lugar de “encher-se de compaixão”, afirmando que Jesus irou-se com o sistema que excluía o leproso do convívio social, pelo fato da lei exigir que o leproso ficasse isolado (cf. 1a leitura).
Ora, no NT, Jesus nunca aparece como sujeito do verbo irar-se. Além disso, seria inadequado aplicar a categoria de exclusão social de hoje ao leproso, pois havia leis a seu favor (cf. Lv 14). Pode-se falar de discriminação, como acontece hoje com pessoas que têm doenças contagiosas.
Quanto ao isolamento do leproso, era uma medida de prevenção, por causa do contágio da doença e da impureza (ligada ao pecado). Porém, a lei exigia que o leproso se apresentasse ao sacerdote para o rito de purificação (cf. Lv 14), no qual se previam sete aspersões. Uma vez curada, a pessoa oferecia o sacrifício de reparação (cf. Lv 14,12ss) e era reintegrada à comunidade.
Pois bem, Jesus supera a discriminação, fazendo-se próximo, tocando no leproso. Assim, o homem curado é figura do batizado, como Naamã, o Siro (cf. 2 Rs 5,14) e representa a passagem do homem velho ao homem novo, capaz de fazer tudo para a maior glória de Deus, sem buscar o que lhe é vantajoso. 
Por fim, em São Paulo, contemplamos este homem novo, conquistado pelo amor do Cristo, capaz de nos regenerar e nos dá vida nova. Por isso, São Paulo pôde dizer: “sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1).
 
 
Pe. Danival Milagres Coelho.