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29/11/2017

Liderar pessoas difíceis


 

 

 

 

A vida de Jesus é um grande manual de administração e gestão do modo como lidar com pessoas difíceis. Sua equipe, dos doze apóstolos, no início, era muito complexa e muito difícil. Ele teve que lidar com personalidades complicadas, mas em momento algum desistiu de sua equipe, caminhou junto com eles, advertindo e corrigindo por meio de seus ensinamentos e ao mesmo tempo elogiava, valorizava a cada um na sua peculiaridade. Com o seu jeito amoroso e amável, transformou, modificou o comportamento de cada um deles.

 

Jesus, nota-se, era um líder amoroso e servidor que sabia elogiar e advertir sua equipe de doze apóstolos de maneira equilibrada e sensata. Pedro foi um apóstolo de “cabeça dura”, impulsivo, mas fiel ao mestre, mas não a ponto de permanecer sempre com Ele. Foi medroso e covarde, negou por três vezes a Cristo, mas se arrependeu. Jesus o elogiou e lhe deu uma missão: “Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16,18). Pedro recebeu as chaves de um grande empreendimento. Cristo colocou nele total confiança e, mesmo com o gênero impulsivo, tornou-se o primeiro Papa.

 

Natanael, por sua vez, foi preconceituoso e orgulhoso, era irônico em relação às coisas de Deus: "Pode algo de bom sair de Nazaré?” (Jo 1,46). Todavia, o mestre reconhece o homem bom nele e afirma: “Eis aí um israelita verdadeiro, sem falsidade” (Jo 1,47). De irônico tornou-se um seguidor fiel.

 

Tiago e João eram irmãos e conhecidos como “filhos do trovão”, ambiciosos, buscavam o poder e prestígio, almejando o primeiro lugar. Eles pedem à mãe para interceder por eles no reino de Jesus: “Manda que estes dois filhos meus se assentem, no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda” ( Mt 20,21). No entanto, Jesus, para adverti-los, ensina que: “quem de vocês quiser tornar-se grande, seja aquele que serve a você” (Mt 20,26). Mais tarde eles compreenderam a mensagem de Cristo e tornaram-se bondosos e amorosos. João sentia ser amado pelo mestre, e foi exatamente ele quem permaneceu ao pé da cruz com Maria, a mãe de Jesus. Tiago foi o primeiro apóstolo a experimentar o martírio, a dar a vida pelo Mestre.

 

Tomé, o incrédulo e descrente, para crer precisava ver: “vimos o Senhor! Se eu não vir à marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei” (Jo 20,25). Para Jesus, o importante é acreditar sem precisar ver, “felizes aqueles que crêem sem ter visto” ( Jo 20, 29b”). Jesus, como bom líder despertou a fé de Tomé e ele pode professar sua fé em Cristo “meu Senhor e meu Deus!” ( Jo 20,28).

 

Assim foi a liderança amorosa de Cristo com os apóstolos, sempre amando e acolhendo a todos. Mateus era o diferente do grupo porque era um “publicano”, cobrador de impostos, uma classe que extorquia dinheiro dos pobres e eram desprezados pelo povo. Jesus foi criticado por conviver com publicano. Cristo, como líder, incluiu-o no grupo dos doze e essa inclusão trouxe um grande tesouro para a equipe. Mateus, o diferente, foi muito importante no grupo dos apóstolos, pois escreveu o primeiro Evangelho.

 

Felipe era um pouco distraído e desligado, sofria de uma certa superficialidade. Jesus, um dia reclamou: “Felipe, faz tanto tempo que estamos juntos e você ainda não me conhece?” (Jo 14, 9). Mas, sua limitação não o paralisou. Foi fiel aos ensinamentos de Jesus até o fim de sua vida.

 

Judas Iscariotes traiu o Cristo, mas possuía dons e por isso Jesus o convidou e acreditou na sua pessoa. Ele administrava o dinheiro da equipe, era o tesoureiro e como os demais apóstolos foi amado pelo Mestre, recebendo todos os ensinamentos Dele. Entretanto, como se sabe, seu coração estava voltado para outras coisas. Nem sempre o líder acerta na escolha de seus colaboradores. Jesus acreditou em Judas, mas ele O traiu. Um bom líder deve ser capaz de identificar os traidores da equipe, pois podem levar o grupo à ruína.

 

No dia a dia de nossas vidas, no trabalho de liderar casas, igrejas, família e outros ambientes, nos deparamos sempre com pessoas de personalidades e gêneros difíceis. Pessoas rancorosas, ciumentas, pessimistas, invejosas e presunçosas. Encontramos, amiúde, aquele individuo intimidador, crítico; pessoas desmotivadas que desejam prejudicar os outros. Não é fácil lidar com essa situação. Há pessoas que nos querem bem, mas ao mesmo tempo há pessoas que desejam o mal. Não podemos fugir dessas pessoas, até mesmo porque não é atitude de um bom líder. É importante aprendermos a conviver com elas, acolhendo suas diferenças.

 

O líder precisa estar bem preparado espiritualmente para administrar esses conflitos potenciais. Precisamos aprender e cultivar as atitudes amorosas de Cristo para então nos tornamos lideres amorosos. Jesus foi capaz de observar, escutar, de ser flexível, moldar cada um de sua equipe, construindo aos poucos uma equipe capaz e forte. O resultado do seu esforço e empreendimento todos nós conhecemos: a Palavra de Deus anunciada a todas as nações, tão pura e significativa que perdura para sempre.

 

 

Ir. Lucenir Fernandes