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20/06/2020

Aprofundando a Palavra - Monsenhor Danival


“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10, 28)

(Artigo do XII domingo do TC, 21-06-20)

 

A Liturgia da Palavra nos exorta a vencer o medo e a dar um testemunho corajoso de nossa fé, abandonando-nos confiantemente aos cuidados de Deus, ao invés de abandoná-lo nos momentos de provações, pois é Ele quem cuida de nós.

 

Na 1a leitura, o profeta Jeremias nos deixa um testemunho de quem soube perseverar na missão, não obstante às resistências e perseguições sofridas. O profeta é perseverante e fiel a sua missão, porque sente que o Senhor está ao seu lado como forte guerreiro. De fato, quem cultiva a intimidade com Deus, jamais se sente abandonado por Ele.

 

Nesta perspectiva, reconhecemos que Jesus viveu sua missão na íntima comunhão com o Pai, que foi seu auxiliador em sua paixão. Ao contrário de Adão, que pela sua transgressão levou a humanidade à morte, Jesus se apresenta como o Filho obediente, tornando-se o único mediador da graça salvífica de Deus, o dom gratuito derramado em abundância sobre todos nós (cf. 2a leitura).

 

Por isso, tendo presente o exemplo de Jeremias e, especialmente, o de Jesus Cristo, podemos nos sentir motivados a viver o que Jesus nos exortou no Evangelho: “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10, 28). Na verdade, Jesus nos convida a um testemunho corajoso de nossa fé, vivendo da certeza de que Deus está conosco, Ele nunca nos abandona. No entanto, é necessário que permaneçamos com o Senhor numa fé de comunhão.  

 

Por fim, superar o medo diante das perseguições e provações exige-se também viver o temor de Deus, que consiste em viver na sua presença e da certeza do seu amor, no desejo profundo de jamais abandoná-lo ou contrariar o seu amor. Em síntese, o convite de Jesus é que nos abandonemos nas mãos de Deus, numa entrega confiante na sua providência, pois a certeza do seu amor e de sua presença nos encoraja a testemunhá-lo diante dos homens (cf. Mt10, 32).

 

Mons. Danival Milagres Coelho.