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22/12/2019

Aprofundando a Palavra com Monsenhor Danival Milagres


“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”

 

(IV Dom. do Advento, 22-12-19)

 

            Estamos próximo da solenidade do Natal do Senhor e a liturgia da Palavra nos mostra que este mistério é iniciativa salvífica de Deus em favor do povo de Israel e de toda a humanidade. O exemplo de José nos inspira a contemplar com fé este mistério, procurando compreender e obedecer à vontade de Deus.

 

            O olhar contemplativo da fé nos faz enxergar como Deus age na história de seu povo. Na 1a leitura, não obstante a infidelidade de Acaz (cf. 2Rs 16,3.7), Deus confirma sua fidelidade a Davi, tomando a iniciativa de lhe dar um sinal: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14).

 

            Para Mateus, a profecia feita ao rei Acaz (cf. 1a leitura), encontra sua plena realização em Jesus, o Messias segundo a descendência de Davi, nascido por intervenção de Deus através da ação do Espírito Santo. O Evangelho de hoje explica a origem misteriosa de Jesus, revelando a José o que estava acontecendo com sua esposa. No final da genealogia de Jesus há uma interrupção na narrativa, deixando claro que José não gerou Jesus - “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual foi gerado Jesus” (Mt 1,16) - por isso, Mateus explica nos versículos seguintes este mistério: quem é o pai de Jesus?

 

            A narrativa centra-se em José que, por ser justo, pensou em repudiar Maria em segredo, como prescrevia a lei, mas Deus lhe revela que Maria estava grávida pela ação do Espírito Santo. Acolhendo-a como esposa, José se revela verdadeiramente justo por ter obedecido a Deus, agindo com misericórdia. Mateus antecipa aqui o tema da Justiça do Reino.

 

            Além disso, a José foi confiada a missão de dar o nome de Jesus ao filho que Maria dará à luz. O seu nome revela o sentido de sua missão, pois “Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

 

            Portanto, pela ação do Espírito Santo em Maria, Deus mesmo é o pai de Jesus, por isso, ele é o Emanuel - o Deus-conosco. No entanto, mesmo não sendo seu genitor, José se torna legalmente o pai de Jesus, garantindo-lhe a descendência davídica.

 

 

Mons. Danival Milagres Coelho.