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08/06/2019

Artigo Pe. Isauro - E vós quem dizeis que eu sou? (Lc 9, 20)


A formação bíblica nesta coluna tem apresentado aspectos do evangelho segundo são Lucas, para sintonizar com o ano C do calendário litúrgico, por isso, o tema escolhido foi, neste mês de junho, tirado da leitura do evangelho da missa do 12º Domingo do Tempo Comum: Lc 9, 18-24.

 

     Todos os evangelhos sinóticos trazem a mesma pergunta feita por Jesus: “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15; Mc 8, 29; Lc 9, 20). Se a pergunta constasse apenas em uma das quatro versões do evangelho ela já seria muito importante para o cristão. Imagine, então, quando ela aparece nos três sinóticos: é importantíssima. É uma pergunta fundamental para os cristãos de todos os tempos. É a partir da resposta que cada um der para esta pergunta que a sua fé será vivida, será experimentada. Se o cristão não souber dar a resposta certa, a sua experiência de fé poderá ser trágica, decepcionante.

 

     Vamos imaginar que você está assistindo televisão. Então começa a procurar um programa interessante. De repente, depara-se com um determinado pregador e, pelo fato dele estar falando sobre Jesus Cristo, você – que talvez esteja até necessitando de uma palavra espiritual – se detém ali, absorvendo tudo o que ele diz. Pode gostar e até voltar ali outras vezes. Ele está falando de Jesus Cristo e você não tem nenhuma dificuldade em aceitar o que ele está falando, porque talvez pense assim: – Ah! Se estiver falando de Jesus eu aceito. Afinal, que problema há nisso?

 

     É importante saber que Jesus mesmo já se preocupava com a questão da sua identidade. Todas as três versões dos evangelhos sinóticos colocam a questão da identidade de Jesus: "E vós quem dizeis que eu sou?" É preciso atenção para o Jesus que apresentam a você, durante as pregações feitas não só na grande mídia, mas em qualquer lugar. Quantas vezes certos pregadores apresentam um Jesus caricaturado. Numa página de jornal, a pessoa que é caricaturada tem a sua imagem desfigurada – aumentam o seu cabelo, as suas orelhas, o seu nariz, etc. Assim fazem com Jesus, desfiguram-no. Apresentam a imagem de um Jesus que não confere com aquela descrita pelos evangelhos e pela Igreja. A propósito, foi a Igreja que purificou a fé ao longo da história. Ela, por exemplo, combateu heresias como o docetismo, que ensinava que Jesus tinha apenas aparência divina.

 

     Atualmente empresas que se fazem passar por igreja pregam um Jesus diferente daquele apresentado pelos evangelhos, daquele transmitido pela Igreja dos primeiros séculos, daquele dos santos e das santas. Não pregam a partilha, o martírio, a cruz, etc, mas apresentam um Jesus milagreiro, um Jesus das facilidades. Por que a imagem de Jesus é distorcida? Porque apresentando um Jesus agradável, sem exigências, mais pessoas são atraídas e, com isso, se lucra mais. Hoje, existe uma mentalidade de que se deve ser politicamente correto, ou seja, é preciso agradar de qualquer maneira. Para isto, a fé a ser pregada deve aquela descomprometida, a religião deve ser aquela de supermercado, onde cada um escolhe o que quer, o que lhe convém. Evidentemente que, numa situação destas, a cruz é dispensada. O verdadeiro Jesus não nos oferece facilidade, conveniências para segui-lo, ele nos propõe a cruz como meio de salvação. "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará" (Lc 9, 23-24). Portanto, não deixe que pessoas despreparadas e que querem fazer da religião fonte de lucro afastem você de Jesus. O verdadeiro cristão, diante da pergunta de Jesus: "Quem dizem os homens que eu sou?", se preocupa com a sua identidade. Sabe que para afirmar verdadeiramente quem é Jesus Cristo precisa estar em sintonia com o que diz a Igreja e a Bíblia. Você se identifica com o Jesus da Igreja e da Bíblia?