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22/09/2018

Política: Jesus é de direita ou de esquerda?


 

 

 

As eleições que acontecem no próximo mês a fim de eleger nossos representantes estaduais e federais nos governos e câmaras são sempre uma oportunidade para pensarmos em nossas decisões, que, claro, possuem consequências para nosso futuro imediato. Como Igreja, não podemos nos afastar dessas preocupações; aliás, o próprio Papa Francisco ressalta em sua Exortação apostólica Evangelii Gaudium (§205) que a política deve ser encarada como uma vocação sublime, “uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum”. Nesse contexto, analisar a figura de Jesus Cristo, ainda que brevemente, pode nos dar boas pistas de como escolher nossos representantes e como contribuir para a eliminação de práticas políticas equivocadas em nosso meio.


Temos vivido tempos de pouca estabilidade política, mas de crescimento de intolerância e ódio nas mais diversas instâncias de nossa sociedade. Os partidos de esquerda e de direita acusam-se mutuamente quanto a seus objetivos, fundamentos e governos passados. Outros, dizem sair dessa polarização e propor novidades, quando, no fundo, têm os mesmos interesses mesquinhos dos primeiros. E dentro de todos esses, há aqueles que querem encaixar Jesus em seu projeto político, mas do modo como lhes convêm.


Para Peter Kreeft, autor de “Jesus, o maior filósofo que já existiu”, Cristo pode ser identificado nas belas propostas dos dois modelos (esquerda e direita), esquivando-se de poder ser considerado de qualquer lado em específico. Ele é sempre do lado da retidão e do amor. Nele, todas as questões saem de um âmbito puramente discursivo, para entrar na própria ordem natural do Pai. É Jesus quem alimenta o pobre, no qual Ele próprio se disfarça, e que detesta o pecado, mas ama a salvação. O filho de Maria é o perfeito anunciador e praticante de um “evangelho social”, mas também é radical no que se refere à ortodoxia na lealdade aos mandamentos de seu Pai do Céu. Assim, Cristo não pode ser associado a nenhuma causa; são as causas que têm de ser associadas a Ele. A direita como temos visto no Brasil corre o sério risco de adorar aquilo que consideram as doutrinas de Cristo (em um mundo distante do homem, de suas necessidades) e não adorar a Cristo, propriamente, que sempre esteve próximo dos seus, especialmente dos mais necessitados. Já a esquerda, cai constantemente no risco de adorar e superestimar alguns dos valores de Jesus (em detrimento de sua espiritualidade e abertura à contemplação dos desígnios do Pai, por exemplo), entrando em um grande ativismo e esquecendo-se do próprio Cristo, verdade e vida, “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 13, 8).


Que não percamos a esperança, mas busquemos aprender de Jesus as virtudes necessárias para bem discernirmos quem escolheremos como nossos futuros governantes. Mas, acima de tudo, que ele nos mostre os seus caminhos que, antes de tudo, são marcados pelo amor a Deus e ao próximo e pela constante busca pela paz, para que, como bons cristãos leigos e leigas, sejamos verdadeiros agentes transformadores de nossa sociedade. Que Nossa Senhora Aparecida interceda por todo o nosso Brasil!


José Mário Santana Barbosa