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21/05/2018

Igreja e Justiça


 

 

 

Ninguém duvida que o Brasil esteja passando por um dos momentos mais difíceis da sua história no que se refere à moralidade minimamente esperada em nossos representantes políticos. Ao longo da história, muitos foram aqueles que se dedicaram, partindo de suas ações, a mostrar que é possível um agir humano mais ético, que busque a valorização da vida e da verdadeira liberdade humanas em todos os seus aspectos. Na Igreja não é diferente!


Certa vez, interpelado por Xenofonte, que queria saber de uma vez por todas uma definição final do termo justiça, o filósofo Sócrates respondeu: “Na falta da palavra, eu faço ver o que é a justiça por meus atos”. No fundo, não há separação entre a justiça que exigimos dos poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) e a justiça que somos todos chamados a praticar em nossos quotidianos. Uma sociedade composta por pessoas acostumadas a infringir pequenas regras é sempre mais passível de eleger governantes que mantenham tal comportamento, mas em nível muito mais amplo.


É a transformação dessa realidade que a Igreja busca incessantemente, quando insiste na importância da formação de leigos e leigas para assumirem compromissos comunitários, como o engajamento nas pastorais e a participação nos diversos cargos públicos (Cf. EG 102). Continuar e perpetuar a obra que Jesus começou e indicou para que seus discípulos fizessem é papel de cada um, muito especialmente daqueles que, em comunhão com a Igreja fundada sobre o alicerce dos Apóstolos, proclama a necessidade do comprometimento com os pobres, igualdade social e justiça para todos.


Não basta ao fiel acompanhar o que se tem visto pela mídia e, como “massa de manobra”, comprar ideias que muitas vezes podem não ser verdadeiras. Não basta também buscar formar-se no conhecimento sociopolítico e não praticar nada da justiça na sua comunidade, eclesial ou não. O mundo precisa de cristãos conscientes, que na hora do voto e na participação ativa na sociedade, mostrem que é possível acreditar e viver num mundo melhor e mais justo!


José Mário Santana Barbosa