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12/12/2017

Disputa por Jerusalém: a posição da Igreja


Muito se tem falado nos meios midiáticos sobre o recente reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelo presidente americano Donald Trump. Essa atitude resultou em uma onda de protestos por todo o mundo, muito especialmente da parte dos povos palestinos, que também consideram Jerusalém como a capital de seu Estado e não recebem o mesmo apoio da comunidade internacional nesse reconhecimento.

 

Em meio a tantas disputas e falta de diálogo, surge uma pergunta: qual a posição da Igreja Católica a respeito da cidade onde Jesus passou grande parte de seu ministério público, foi condenado e crucificado? Sim, há também uma grande população cristã naquela região e esse assunto interessa diretamente também a nós, que devemos ter clareza e nos manifestarmos com firmeza com relação a ele.

 

A Igreja está sempre posicionada na busca pelo diálogo e pela boa convivência entre os três credos majoritários ali existentes: judaísmo, cristianismo e islamismo. A coexistência dos dois estados independentes, o israelense e o palestino, parece ser a melhor solução para esse drama político e para o estabelecimento da paz.

 

Confira a posição da Santa Sé:

 

 

 

“Serve uma linha política de convergência de esforços pela paz.” Estas palavras foram proferidas pelo Observador Permanente emérito da Santa Sé na ONU, em Genebra, Dom Silvano Maria Tomasi, membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, depois do anúncio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de querer transferir a Embaixada dos Estados Unidos, em Israel, de Telaviv a Jerusalém.

 

Entrevistado pelo colega Mário Galgano da Secretaria para a Comunicação – Rádio Vaticano, eis o que disse Dom Tomasi:

 

A posição da Santa Sé sempre foi aquela apoiada legalmente pelas Nações Unidas, ou seja, dois Estados independentes que respeitem mutuamente os seus direitos. Um Estado judeu e um palestino. Jerusalém deve permanecer acessível às três grandes religiões abraâmicas: aos cristãos, muçulmanos e judeus. Dizer que Jerusalém é a capital somente de Israel, com as consequências jurídicas que poderiam surgir, complicaria certamente essa posição que desde sempre foi apoiada pelas Nações Unidas e também pela Santa Sé. Eu diria que é preciso encontrar uma linha política não de divisão, mas de convergência de esforços para garantir a paz. Vemos que existe grande necessidade de trabalhar juntos, de compreender-se e essas afirmações, romper aquilo que é um pouco o consenso internacional, levam ao risco de novas violências. Devemos evitar isso de todas as maneiras.”

 

Fonte: CNBB, 12/12/2017