Notícias


07/12/2017

A cultura do descartável


 

 

 

Vive-se hoje na sociedade “a cultura do descartável”, o sentido de que tudo é provisório, nada é para durar.  Há uma série de fatores, pessoas, idéias e coisas que englobam o descartável, a serem destacadas: as relações humanas, afetivas, matrimoniais, os gestos, a pobreza, aparelhos eletrônicos, carros e tantos outros que estão perdendo o seu lugar e valor na sociedade.

 

Um fator importante a ser ressaltado é quanto aos relacionamentos humanos, no qual as pessoas estão se deixando influenciar por esta cultura. Percebe-se como as relações afetivas, amorosas e as amizades estão perdendo o seu sentido. A importância que se dá quanto ao ter e ser. Quantos matrimônios estão sendo desfeitos, pois é como se fosse uma oferta, se aparece alguém mais bonito, talentoso e atraente a outra pessoa simplesmente é descartada.

 

A cultura do descartável, infelizmente, descarta tudo, inclusive as pessoas. A família é a que mais sofre diante desse contexto, pois não é só uma pessoa, quando se tem filhos. Outro fator a ser ressaltado são as amizades que estão sendo desfeitas, trocadas pelos smartphones, tecnologias e tantos outros, quando a pessoa não quer a amizade de outra nas redes sociais, simplesmente clica em deletar. Assim, é descartada uma amizade, como “lixo”, não quero, jogo fora.

 

Até a religião, nesse contexto, está sendo trocada, se não gosto dessa doutrina passa para outra que é mais agradável e atraente. Com isso a sociedade é conduzida ao vazio, supérfluo, aos inúmeros divórcios, ao consumismo exagerado, ao desperdício, agressão ao meio ambiente, a destruição de valores e tantos outros.

 

Diante de tantas incertezas e inseguranças que essa cultura traz ao cotidiano, há uma preocupação de como saber enfrentar esse grande desafio que apodera da vida das pessoas e que já adentrou no lar das famílias. Todo cristão, tem o dever de apontar caminhos, de orientar quanto à consciência crítica para esse grande mau, de se colocar contra essa “cultura do descartável”, começando nas famílias, escolas, trabalho e todos os meios de convivência. Para isso, exige-se uma reflexão muito profunda e madura quanto à tomada de consciência e alternativas para combater essa cultura.

 

A conversão e mudança só irão acontecer se realmente mudar a forma de ver, julgar e agir quanto ao uso do descartável. Há uma necessidade de fazer a troca da cultura do descartável para a cultura do encontro. Segundo o Papa Francisco, em seu discurso aos participantes do encontro sobre mobilidade humana na Cidade do México, é essencial a mudança de atitude, quanto aos sentimentos de defesa, medo, desinteresse e marginalização, pois só leva precisamente a “cultura do descartável” para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, pois é a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor.

 

 

 Ir. Lucenir Fernandes - CDP