Notícias


05/12/2017

A ARTE DE AMAR: Conflito e Verdade


 

 

Erich Fromm, em seu livro A arte de amar, ressalta que são cinco os principais tipos de amor dispensados pelo homem: amor fraterno (marcado pela preocupação com o igual, pela responsabilidade), amor materno (caracterizado pela preocupação com o outro, com o desamparado), amor erótico (o desejo de união com o outro, no âmbito da sexualidade), amor próprio (não em sentido egoísta pejorativo, mas como ponte entre mim e os outros) e amor de Deus (representado como o mais alto valor, o bem desejável, aquilo que dá completude à ação humana).

 

O que tem se percebido, na sociedade ocidental contemporânea, é uma “rarificação” de todos esses tipos de amor verdadeiro, enquanto cresce a mercantilização do homem, o espírito capitalista e o consumismo. Tudo isso gera um clima muito apropriado a todo tipo de aberrações com relação à vivência do amor, manifestado por diversas atitudes, como o ciúme exagerado, a possessividade e até mesmo os crimes de cunho amoroso/sexual.

 

Nenhum observador objetivo de nossa vida ocidental pode duvidar de que o amor — amor fraterno, amor materno e amor erótico — seja fenômeno relativamente raro, sendo seu lugar tomado por numerosas formas de pseudo-amor que, em realidade, são outras tantas formas de desintegração do amor. (FROMM, Itatiaia, [19--], p. 65)

 

Para o autor, tudo isso é causado especialmente pela dificuldade em se estabelecer relacionamentos pautados inteiramente na verdade, enquanto estabelecemos “relacionamentos lubrificados” (nos quais o amor é uma segurança contra a solidão e nunca é uma manifestação espontânea). Não há correção fraterna nem o mínimo de verdade. Em prol de agradar a todos e “ser amado”, finjo que amo e que acredito ser amado.

 

Na educação dos filhos, nesse sentido, é extremamente diferencial um ponto que muitas vezes passa despercebido: o relacionamento dos pais. Um ambiente de constante brigas e incompreensões entre os pais fornece um bom solo para distúrbios psíquicos na criança. Ao contrário, quando há respeito entre os cônjuges, a atmosfera da casa é amorosa e o filho cresce de forma sadia, tendo respeitadas as suas etapas de desenvolvimento. Esse relacionamento pautado na verdade é crucial tanto no diálogo entre os pais, quanto no diálogo deles com seus filhos, a fim de evitar quaisquer problemas posteriores em decorrência da má vivência das dificuldades costumeiras.

 

A presença do Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara. Se o amor anima esta autenticidade, o Senhor reina nela com a sua alegria e a sua paz. (PAPA FRANCISCO, Amoris Laetitia, §315)

 

Amar não é evitar o conflito, mas crescer com ele! Assim, inclusive, aqueles que se relacionam com Deus de modo a apenas esperar que Ele lhes seja um auxílio nas dificuldades, têm uma crença extremamente imatura. Com uma vida geralmente distante dos valores religiosos (pois só me dirijo ao Transcendente quando preciso), esse fiel é extremamente individualista e egoísta em sua fé, sem qualquer meta que vá além de seu próprio interesse. Infelizmente, essa realidade é, cada vez mais, a dominante em nossa sociedade.

 

José Mário Santana Barbosa 

(parte de um artigo apresentado para a disciplina de Psicologia II, na Faculdade Dom Luciano Mendes - curso de Filosofia)