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23/11/2017

A arte de ser liderado e liderar a si mesmo


 

 

 

Cristo, em na sua missão, não liderava e nem tomava decisões sozinho. Antes de ser líder, Ele era liderado e impulsionado pelo Pai: “pois, desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38). Sempre antes de tomar suas decisões e escolhas Ele rezava ao Pai, pedindo orientações. “Jesus retirou-se a noite a uma montanha para rezar e passou aí toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu os doze dentre eles que chamou de apóstolos (Lc 6,12-16).

 

Como líder Jesus foi obediente e submisso à vontade de quem O enviou: o Pai. No Jardim do Getsêmani, Ele orou ao Pai, dizendo: “Meu Pai, se é possível, afaste de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas, sim, o tu queres” (Mt 26,39) e foi obediente também à sua mãe no episódio das Bodas de Caná: “Eles não têm mais vinho” (Jo 2, 3). Ele transformou a água em vinho (cf. Jo 2, 7-9).

 

Hoje, em muitas empresas, igrejas, até nas casas de famílias, existem disputas e rivalidades intensas, sobretudo por meio de conflitos, divisões, ressentimentos e até afastamento das pessoas nos grupos e ciclos de convivência. Isso se deve ao fato de as pessoas não saberem liderar ou serem lideradas.

 

O líder não deve liderar, trabalhar e cuidar somente de sua equipe, mas também deve atuar e construir a si mesmo, de maneira ininterrupta. Trabalhar o seu “eu”. E isso não é fácil, pois requer um percurso que muitas vezes não se deseja percorrer. Um caminho de aprofundamento no próprio íntimo, procurando o conhecimento interior, gostos, qualidades e defeitos, aceitando e acolhendo quem se é, o que tem e percebendo as imperfeições que atrapalham o desenvolvimento fraterno e espiritual.

 

Liderar pessoas exige de nós diversas formações e competências, e uma delas é o autoconhecimento de si, das atitudes, sentimentos, emoções, paixões, necessidades, autocontrole e domínio pessoal. É de suma importância saber lidar com as próprias atitudes e emoções; saber administrá-las e controlá-las para ter bom resultado diante dos seus liderados, pois se o líder não tem conhecimento de si mesmo ele terá muitos conflitos consigo e com os liderados, por não saber administrar suas emoções reprimidas.

 

Seguindo este caminho, o líder simplesmente irá projetar seus conflitos nos seus liderados, e com isso surgirão várias dificuldades na sua equipe, como a dificuldade de relacionamento, tornando pesado o clima no ambiente de trabalho. Tal aspecto potencializa uma espécie de adoecimento dos colaboradores, acarretando no mau funcionamento geral da equipe de trabalho, comprometendo os resultados gerais. O líder tem papel importante na sua formação de estimular aptidões psicológicas, físicas, intelectuais, sociais e um fator importante: a espiritualidade

 

No livro “A Sabedoria dos monges na arte de liderar pessoas”, São Bento dá um valor muito grande ao caráter do líder. Para ele, o caráter do líder pressupõe, necessariamente:

·         Experiência, sabedoria, ter pleno conhecimento e capacidade de apreciar e experimentar as coisas do jeito que são. O líder precisa ter experiência e prática consigo mesmo e com os outros.

·         Maturidade humana: os critérios de amadurecimento humano são a paz interior, a serenidade, a integridade, a identidade consigo mesmo, sobriedade, temperança, sobriedade e espiritualidade.

·         Modéstia, serenidade, senso de justiça, Temor de Deus, clareza nas decisões, atitude de Pai e senso de economia.

 

Finalmente, conclui que o líder deve passar pela escola do autoconhecimento, ou seja, para liderar pessoas, ele precisa primeiro liderar a si mesmo. Saber liderar-se subjetivamente, suas emoções e sentimentos, possibilita a formação de um grande líder de si mesmo.

 

 

Ir. Lucenir Fernandes