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07/03/2017

O Livre Arbítrio e a Felicidade


 
    Santo Agostinho foi um grande filósofo e, como tal, buscou responder a importantes indagações de seu tempo, muitas vezes no campo religioso, mas utilizando sempre de uma linguagem acessível àqueles que não professavam a mesma fé que ele. Um dos pontos mais importantes de sua obra O Livre Arbítrio, de alcance e relevância muito atuais, foi tratado no capítulo 14, parágrafo 30. Nele, Agostinho indaga a Evódio: se todo homem deseja incansavelmente a felicidade, por que nem todos a obtêm? Seria a existência da infelicidade, uma possível justificação para as ideias maniqueístas, tendenciosas a pensar em um poder criador do mal no mundo? A negação a essa proposta é enfática. Para Agostinho, “o merecimento está na vontade”. Dela, portanto, surgem as consequências, ou seja, a beatitude (como recompensa pelo bem praticado) ou o castigo (em decorrência da desventura).
 
    O que ocorre, contudo, é que, ainda que todos os homens desejem a felicidade, nem todos desejam viver retamente seus dias a fim de alcançá-la. Assim, mais uma vez, é o homem o causador da infelicidade que porventura exista em sua vida e, portanto, do mal que pode afetá-lo. O livre arbítrio permite ao homem não apenas escolher ser feliz ou não, o que naturalmente ele já deseja. Mais do que isso, é a Boa Vontade para agir com retidão e honestidade que irá levá-lo ou não à felicidade almejada.
 
    Aproveitemos esse propício tempo da Quaresma que estamos vivenciando para “ajustarmos” nossa vontade à vontade de Cristo e, assim, escolhermos sempre fazer o bem a nós mesmos e aos nossos irmãos que nos cercam. Esse é o caminho da verdadeira felicidade!
 
“Já que sabeis disso, sereis felizes se o puserdes em prática.” (Jo 13, 17)
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

AGOSTINHO. O Livre-arbítrio. Tradução de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulus, 1995.

José Mário Santana Barbosa