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11/02/2017

Tempo Comum: Deus mesmo agindo em nós!


    Na tradição cristã, o tempo é vivido e compreendido como verdadeira oportunidade de salvação. O dia, a semana, o mês, o ano são autênticos “sinais da graça divina” já presentes e atuantes no mundo; Deus mesmo agindo em nossos corações, pela força de seu Espírito Vivificador.
     A salvação que Deus nos oferece em Cristo, acontece mediante estas coordenadas de espaço e tempo. A divindade entrou no tempo, ou melhor, na história e na vida dos homens. Na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher; para revelar a grandeza do seu amor e resgatar a dignidade do ser humano. Experimentar o tempo, dias ou semanas que passam cheios de tarefas para realizarmos, não deve ser para nós causa de medo ou desânimo, como se caminhássemos para o caos, ou destruição da própria vida. Muito pelo contrário, devemos experimentá-lo como manifestação da presença misericordiosa de Deus entre nós.
     Na liturgia o tempo deve ser valorizado na sua dimensão sacramental, ou seja, enquanto meio de encontro com Jesus Cristo, que nela se faz presente, pela força do Espírito Santo. A partir desta compreensão sacramental, a sucessão anual do tempo litúrgico se reveste de um sentido inteiramente novo. Cada tempo litúrgico passa a ser visto como manifestação da gratuidade de um Deus que se revela, e da liberdade profunda do ser humano, que acolhe em sua vida o seu projeto salvífico.
     Sendo assim não existe um tempo litúrgico que seja superior ao outro, no que se refere à sua dimensão sacramental, ou seja, na sua propriedade de estabelecer o encontro da comunidade celebrante com Deus. Por exemplo: o tempo pascal não é mais importante que os outros ciclos litúrgicos. Tanto na páscoa quanto no Natal, ou no tempo comum Jesus Cristo e sua Obra Redentora estão presentes, atuando diretamente em nossa vida.
     Estamos vivendo na liturgia da Igreja o chamado “Tempo Comum”. Quando nos deparamos com esta palavra, logo pensamos que se trata de um tempo inútil, desprezível ou sem muito valor. A nossa vida é assim mesmo! Não gostamos da mesmice de sempre e desejamos coisas mais sofisticadas. Há também aqueles que, em se tratando de religião, buscam sempre as coisas que são extraordinárias (videntes, aparições, curas e milagres grandiosos...). O problema é que nos esquecemos de algo fundamental: “nós somos comuns e Deus se fez comum, assumindo a fragilidade humana para nos revelar a grandeza de seu amor’. A busca desenfreada de manifestações exuberantes de Deus, nos impede de encontrá-lo no quotidiano e na simplicidade dos gestos e sinais de amor que cercam a nossa vida.
     No tempo comum, somos convocados pela liturgia a crescer no seguimento de Jesus Cristo, através da reflexão e aprofundamento dos mistérios centrais da nossa fé, Encarnação, Morte e Ressurreição do Senhor; celebrados respectivamente no Natal e na Páscoa. É o tempo mais longo na vida da Igreja. São 34 semanas, durante as quais as comunidades deverão valorizar a celebração dominical da Eucaristia e da Palavra.
     Podemos dizer que durante este período “Comum”, renova-se em nosso coração a “esperança” que nos impulsiona na missão e no serviço. Aliás o verde é a cor litúrgica deste tempo, lembrança perene de que devemos confiar plenamente em Deus, que em Cristo, pelo Espírito, se tornou nossa verdadeira e única “Esperança”.


Mons. Geovane Luís da Silva